O governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, iniciou nesta terça-feira, 6 de outubro, contatos com os principais nomes da disputa pelo Palácio Guanabara e se colocou à disposição para conduzir a transição de governo assim que a Justiça Eleitoral definir oficialmente quem será o próximo governador.
Couto telefonou inicialmente para Douglas Ruas, do PL, que terminou o primeiro turno na primeira colocação. Durante a conversa, parabenizou o candidato pelo resultado e afirmou estar disponível para iniciar o processo de transição tão logo exista uma definição jurídica sobre a eleição.
Pouco depois, Ricardo Couto também entrou em contato com Eduardo Paes, do PSD. Segundo informações divulgadas nesta terça-feira, o governador em exercício igualmente se ofereceu para apresentar a estrutura administrativa do Estado e iniciar a transição caso Paes venha a ser oficialmente declarado eleito.
A movimentação ocorre em um momento incomum na política fluminense.
O resultado da eleição para governador ainda depende diretamente da decisão do Tribunal Superior Eleitoral sobre os votos atribuídos a Anthony Garotinho. O ex-governador disputou a eleição com o registro indeferido e recebeu mais de 274 mil votos, atualmente classificados como anulados sub judice.
Douglas Ruas terminou a apuração com 49,27% dos votos válidos considerados no resultado divulgado. Eduardo Paes ficou em segundo lugar, com 42,76%.
Caso os votos de Garotinho sejam definitivamente anulados, a base de cálculo dos votos válidos será modificada. Nesse cenário, Douglas Ruas ultrapassaria os 50% necessários e poderia ser reconhecido como vencedor ainda no primeiro turno.
Se esses votos forem considerados válidos, permanece o cenário de segundo turno entre Douglas Ruas e Eduardo Paes, previsto para 25 de outubro.
Contatos têm caráter institucional
As ligações realizadas por Ricardo Couto não significam reconhecimento antecipado da vitória de qualquer candidato.
Ao procurar tanto Douglas Ruas quanto Eduardo Paes, o governador em exercício adotou uma postura institucional diante da indefinição jurídica e deixou aberta a possibilidade de transição para qualquer um dos dois, dependendo da decisão final da Justiça Eleitoral.
O episódio também revela a preocupação do atual governo em evitar demora na transferência administrativa após a definição das urnas e dos tribunais.
Uma transição estadual envolve o fornecimento de informações sobre orçamento, contratos, obras em andamento, situação financeira, estrutura das secretarias e projetos considerados prioritários.
Decisão do TSE ganha ainda mais importância
O centro da disputa permanece no Tribunal Superior Eleitoral.
Anthony Garotinho pediu a desistência do recurso apresentado contra o indeferimento de sua candidatura. O Ministério Público Eleitoral já se manifestou favoravelmente à aceitação da desistência e, além disso, sustentou que o recurso deveria ser rejeitado mesmo caso fosse analisado no mérito.
Por isso, a decisão do TSE poderá produzir efeito imediato sobre o resultado eleitoral.
O Rio vive, portanto, uma situação pouco comum: existe uma apuração encerrada, dois candidatos politicamente mobilizados para uma possível segunda votação e, ao mesmo tempo, uma decisão judicial que pode tornar desnecessário o segundo turno.
Enquanto o Tribunal não se pronuncia definitivamente, Ricardo Couto mantém abertas as duas possibilidades.
A máquina estadual começa a se preparar para a transição, mas ainda não sabe oficialmente para quem entregará as chaves do Palácio Guanabara.