Na terça-feira, dia 3, representantes do sindicato contestaram a posição da Prefeitura, que obteve na Justiça uma decisão liminar determinando a interrupção da greve e o retorno dos profissionais às atividades.
O movimento começou em 26 de outubro, em meio a questionamentos sobre alterações na legislação municipal referente ao adicional de magistério, conhecido como regência.
A principal controvérsia envolve a mudança na redação da norma, que substituiu a garantia de um percentual fixo de 41% por uma previsão de pagamento de até 41%, o que, segundo os representantes da categoria, pode comprometer a remuneração dos profissionais.
O sindicato afirma que cumpriu as exigências legais para a deflagração da greve, incluindo os procedimentos de comunicação e divulgação do movimento.
A administração municipal, por outro lado, recorreu à Justiça e conseguiu uma liminar determinando o encerramento da paralisação.
A decisão estabeleceu multa de R$ 500 mil ao sindicato e de R$ 5 mil aos dirigentes por dia de descumprimento, além de prever descontos remuneratórios proporcionais aos dias de paralisação considerados ilegais.
Entretanto, uma questão fundamental precisa ocupar o centro desse debate: o direito dos alunos à continuidade e à qualidade do ensino.
É legítimo que professores reivindiquem remuneração adequada e melhores condições de trabalho. Contudo, a discussão não pode ignorar os prejuízos que a suspensão das aulas causa às crianças e às famílias.
Também é necessário que a administração municipal e os representantes da categoria discutam, com a mesma seriedade, indicadores de desempenho educacional, frequência dos profissionais, absenteísmo, aproveitamento escolar e eficiência dos recursos destinados à educação.
A remuneração do magistério é importante, mas não pode ser analisada isoladamente dos resultados oferecidos à população.
Os estudantes, especialmente aqueles pertencentes a famílias de menor renda, são os principais prejudicados quando o calendário escolar sofre interrupções.
O diálogo entre a Prefeitura e os profissionais precisa encontrar uma solução que preserve os direitos dos trabalhadores, mas que também assegure a prevalência do interesse público e a continuidade do atendimento educacional.