A precariedade do fornecimento de energia elétrica em diferentes bairros do Sul Fluminense tornou-se motivo de preocupação e insatisfação entre moradores e comerciantes. As interrupções frequentes, muitas vezes associadas a chuvas e ventos, levantam questionamentos sobre a eficiência da manutenção e a suficiência dos investimentos realizados pela concessionária Light.
Em Volta Redonda, bairros como Vila Rica/Tiradentes enfrentaram sucessivos episódios de interrupção do fornecimento. A situação levou moradores a organizar um abaixo-assinado e cobrar providências da concessionária. Em junho deste ano, representantes da Light chegaram a se reunir com moradores e iniciar serviços de manutenção para enfrentar os apagões.
Em Barra Mansa, reclamações semelhantes foram registradas ao longo de 2026. No Parque Independência, moradores organizaram uma manifestação coletiva questionando as condições da infraestrutura elétrica, que, segundo eles, não acompanhou o crescimento da demanda residencial. Bairros centrais sofrem com as quedas de fornecimento de energia com tanta frequência quanto acontecia em áreas ruais há 30 anos. O sentimento é de retrocesso.
A situação é especialmente preocupante porque os problemas não se limitam aos transtornos momentâneos. A falta de eletricidade compromete o funcionamento de estabelecimentos comerciais, interrompe atividades profissionais, prejudica a conservação de alimentos e pode danificar eletrodomésticos e equipamentos eletrônicos.
A primeira crítica à Light é a aparente insuficiência de ações preventivas e de modernização da rede elétrica. Não é aceitável que moradores convivam repetidamente com a insegurança de perder o fornecimento de um serviço essencial. A persistência das ocorrências justifica uma apuração rigorosa sobre a adequação dos investimentos, a substituição de equipamentos antigos e a manutenção das redes de distribuição.
A segunda crítica diz respeito à qualidade do atendimento e à capacidade de restabelecimento do serviço. Consumidores que enfrentam longos períodos sem energia precisam receber informações claras, previsões fundamentadas e atendimento eficiente.
É necessário reconhecer que temporais intensos podem provocar danos mesmo em redes bem conservadas. Entretanto, a ocorrência de chuvas não pode servir de justificativa automática para todas as interrupções, especialmente quando os problemas se repetem em determinadas localidades.
A Light deve prestar esclarecimentos públicos sobre os investimentos realizados no Sul Fluminense, os bairros que concentram maior número de ocorrências e as medidas previstas para reduzir a frequência e a duração dos apagões.
Os órgãos de fiscalização, as prefeituras e as entidades de defesa do consumidor também precisam acompanhar o problema com maior rigor.
A população paga pelo serviço e tem o direito de exigir qualidade, continuidade e segurança. A concessionária, por sua vez, deve demonstrar, com resultados concretos, que está investindo o necessário para garantir um fornecimento compatível com as necessidades das cidades que atende.
A fotografia que ilustra essa matéria é de black-out em Cuba em 2025. A sensação é ilustrada por essa foto. A região mais industrializada do Estado do Rio, sofre com qualidade de serviço de iluminação e fornecimento de energia tal qual Cuba, um pais devastado economicamente. Foto AFP.