O número de denúncias de crimes ambientais registradas no Estado do Rio de Janeiro apresentou crescimento significativo em 2026. Dados divulgados pelo programa Linha Verde, canal do Disque Denúncia especializado em infrações ambientais, mostram que entre 1º de janeiro e o início da manhã de 3 de junho foram cadastradas 14.733 informações relacionadas a diversos tipos de crimes contra o meio ambiente.
O balanço foi divulgado após as ações relacionadas ao Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado na última sexta-feira (5). Na comparação com o mesmo período de 2025, o volume de denúncias aumentou 18%. Em relação a 2024, o crescimento chega a 70%.
Entre os registros recebidos neste ano, os casos de maus-tratos a animais aparecem em primeiro lugar, com 9.134 denúncias. Na sequência estão ocorrências de poluição do ar (1.320), descarte irregular e acúmulo de lixo (927), guarda e comércio irregular de animais (881) e extração ilegal de árvores (865).
O levantamento também chama atenção para a prática de soltura de balões, que costuma aumentar durante o período das festas juninas. Desde janeiro, o Linha Verde recebeu 44 denúncias relacionadas à fabricação, armazenamento e soltura desses artefatos. Outro problema recorrente é o uso de linhas cortantes em pipas, conhecidas como linhas chilenas, que já motivaram 342 denúncias neste ano.
Além desses casos, o programa recebeu informações sobre captação clandestina de água, construções irregulares, loteamentos ilegais, queimadas, pesca predatória, despejo irregular de esgoto, contaminação do solo, caça ilegal de animais, entre outras infrações ambientais.
As denúncias encaminhadas aos órgãos competentes contribuíram para a identificação de mais de 70 mil metros quadrados de áreas degradadas em 2026. As ações de fiscalização também resultaram na apreensão de sete balões, mais de 100 materiais utilizados na fabricação desses artefatos, 31 aves silvestres, um jabuti e uma cobra.
No combate à pesca predatória, foram apreendidos ainda 250 quilos de camarão e outros pescados, além de duas redes de arrasto e uma embarcação.
A capital fluminense concentra a maior parte das denúncias registradas pelo programa, com 7.409 ocorrências. Entre os municípios do estado, também se destacam Nova Iguaçu (833), Duque de Caxias (690), São Gonçalo (645), Niterói (501), Petrópolis (442), São João de Meriti (337), Belford Roxo (325), Maricá (267) e Angra dos Reis (222).
Na cidade do Rio de Janeiro, os bairros de Campo Grande, Jacarepaguá, Santa Cruz, Guaratiba e Bangu lideram o ranking de denúncias ambientais.
O Linha Verde recebe informações por telefone, WhatsApp com garantia de sigilo e pelo aplicativo Disque Denúncia RJ. Somente por meio do aplicativo, foram registradas 642 denúncias nos primeiros meses deste ano. O serviço garante o anonimato dos denunciantes e funciona como uma ferramenta de apoio às ações de fiscalização ambiental em todo o estado.