As fortes chuvas que atingiram o Sul Fluminense no fim de semana exigiram mobilização intensa das prefeituras e das Defesas Civis de diversos municípios. O volume elevado de precipitação provocou alagamentos, transbordamento de rios, deslizamentos pontuais e transtornos à população, especialmente entre a noite de sábado (24) e a manhã de domingo (25).
Em Barra Mansa, a Defesa Civil registrou 124,8 milímetros de chuva em apenas 48 horas, volume superior à média prevista para um mês inteiro. O domingo foi marcado por ações de monitoramento, limpeza e resposta aos impactos causados pelas precipitações.
Moradores dos bairros Colônia e Santa Maria 2 amanheceram com água dentro de casa após uma tromba d’água registrada na cidade de Bananal (SP), na noite de sábado, que provocou o transbordamento do Rio Bananal em território barra-mansense.
Desde as primeiras horas da manhã de domingo, uma força-tarefa formada por equipes do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), da Secretaria Municipal de Manutenção Urbana (SMMU) e da Defesa Civil atuou em diversos pontos do município, com serviços de limpeza, remoção de entulhos, desobstrução de vias e retirada de material proveniente de deslizamentos e quedas de árvores.
Além da região central, os trabalhos se concentram em bairros como Colônia Santo Antônio, Siderlândia, Jardim Marajoara e na Avenida Albo Chiesse, onde houve utilização de maquinário pesado, incluindo retroescavadeiras, para liberação das vias e limpeza das áreas afetadas.
A continuidade das chuvas provocou a saturação do sistema de drenagem, com registros de alagamentos em diferentes regiões. Como medida preventiva, sirenes foram acionadas nos bairros Nova Esperança e Boa Sorte, devido à elevação do nível do Rio Barra Mansa. Pontos de acolhimento foram disponibilizados no Colégio Municipal Clécio Penedo e na Escola Municipal Humberto Quinto Chiesse.
O coordenador da Defesa Civil, João Vitor Ramos, afirmou que o monitoramento segue contínuo.
— Estamos acompanhando todos os pontos de atenção do município, especialmente o nível dos rios e as áreas de encosta. As equipes permanecem mobilizadas e prontas para agir — destacou.
O prefeito Luiz Furlani reforçou que toda a estrutura da Prefeitura foi acionada desde o início das chuvas.
— Seguimos com intervenções emergenciais nos pontos mais afetados para reduzir os impactos e garantir a segurança da população — afirmou.
O Saae-BM informou ainda que, devido ao transbordamento do Rio Bananal, o abastecimento de água no bairro Colônia está temporariamente interrompido. A bomba da ETA Colônia ficou submersa e precisará passar por manutenção, que só poderá ser realizada após a normalização do nível do rio. A autarquia pediu o uso consciente da água.
Em caso de emergência, os contatos são Defesa Civil: 199 e Corpo de Bombeiros: 193.
Resende: Rio Sesmaria transborda, mas não atinge residências
Em Resende, a Defesa Civil atuou desde a noite de sábado (24) no acompanhamento das ocorrências. O nível do Rio Sesmaria começou a subir durante a noite, levando equipes ao bairro Ipiranga para monitoramento.
Após uma redução durante a madrugada, o rio voltou a subir rapidamente na manhã de domingo (25), ultrapassando a cota de transbordamento. Houve alagamento em trechos da Avenida Sesmaria e no início das ruas José Geraldo Coutinho e Rodolfo Pellini Filho.
A Defesa Civil emitiu alertas com sirenes, orientando moradores a retirarem veículos das garagens e elevarem móveis. Apesar do transbordamento, nenhuma residência foi atingida e não houve registro de desalojados ou desabrigados. O nível do rio começou a baixar por volta das 9h22, com normalização completa às 9h59.
Itatiaia: alagamentos e deslizamentos atingem bairros
Em Itatiaia, o acumulado foi de aproximadamente 80 milímetros de chuva, ocasionando alagamentos, deslizamentos de terra e outros incidentes. Na Vila Esperança, uma residência foi invadida pela água, que chegou a cerca de meio metro de altura. No imóvel moravam três pessoas — dois idosos e uma pessoa com deficiência — que precisaram deixar a casa e foram acolhidas por familiares.
Segundo a Defesa Civil, uma galeria de águas pluviais não suportou o volume de chuva, agravado pela descida de terra, o que comprometeu o escoamento e causou o alagamento.
O Ribeirão da Fazenda Aleluia também apresentou elevação do nível, e houve acúmulo de água em vias da cidade. Em Penedo, equipes atenderam ocorrências de alagamento de residências, deslizamentos, queda de árvores e queda de poste de energia. Todas as demandas emergenciais foram atendidas, e os trabalhos de limpeza continuam a partir desta segunda-feira (26), com apoio de maquinários.
Volta Redonda: 120 mm acumulados e atuação em pontos críticos
Em Volta Redonda, o acumulado chegou a 120 milímetros de chuva desde sexta-feira (23) — sendo 56 mm na sexta, 42 mm no sábado e 22 mm no domingo até as 13h. A Prefeitura mobilizou equipes da Defesa Civil e atuou de forma concentrada em duas frentes com maior impacto.
Uma das ocorrências foi registrada no bairro São Sebastião. A outra ocorreu na Rua Cabo Frio, no bairro Siderlândia, em área pública, onde houve carreamento de lama. Também foi registrado acúmulo de água sob a ponte Pequetito Amorim, no acesso ao bairro Aterrado. Segundo a Prefeitura, o volume não teve origem no Rio Paraíba do Sul, mas foi causado pelo represamento das chuvas intensas.
As equipes seguem realizando limpeza, vistorias técnicas e monitoramento contínuo. De acordo com a administração municipal, as demais áreas da cidade operam normalmente, sem registro de intercorrências relevantes.
Monitoramento segue ativo na região
As prefeituras e Defesas Civis dos municípios afetados seguem em estado de atenção, monitorando níveis de rios, áreas de encosta e pontos críticos de alagamento. A orientação à população é acompanhar os comunicados oficiais e acionar os órgãos competentes em caso de emergência.